segunda-feira, 2 de março de 2009

VERDADES E MENTIRAS DO CASAMENTO I


Alguns mitos associados à conjugalidade são veiculados com tanta força que se transformam em verdades inquestionáveis. Importa analisá-los e perceber até que ponto correspondem à realidade.


O CASAMENTO É UM MAR DE ROSAS.

ERRADO:

Há fases de grande intimidade entre os membros do casal e fases de grande afastamento. Independentemente das mudanças por que um casal passa ao longo do ciclo de vida, também há mudanças individuais. As alterações vividas no universo extraconjugal influenciam em larga escala o estado emocional dos cônjuges, pelo que é natural que existam períodos de menor sintonia. Como o casamento é um conjunto de memórias, quanto mais memórias positivas vividas a dois existirem, maior a probabilidade de os membros do casal ultrapassarem os períodos de afastamento.


O MEU CÔNJUGE SABERÁ SEMPRE O QUE EU QUERO, SEM QUE SEJA PRECISO QUE EU LHO DIGA.

ERRADO:

Um dos “segredos” para o sucesso das relações, em geral, e dos casamentos, em particular, está na clareza da comunicação. Numa relação amorosa, esperar que o cônjuge tenha a capacidade de “ler pensamentos” implica correr riscos desnecessários. É verdade que, quanto maior for o entendimento entre os membros do casal, maior a probabilidade de se conhecerem mutuamente e, assim, anteciparem as respectivas necessidades. Contudo, as expectativas de cada pessoa em relação ao seu companheiro devem ser expostas de forma clara e honesta, para que este possa agir em conformidade. Caso contrário, o casal expõe-se a equívocos de comunicação que podem ser perigosos.


O AMOR É SUFICIENTE PARA QUE HAJA BOM ENTENDIMENTO SEXUAL.

ERRADO:

As perturbações relacionadas com a sexualidade podem ter diversas origens. Nalguns casos, há alterações fisiológicas, que requerem a intervenção especializada. Noutros, há constrangimentos psicológicos que podem ser mais ou menos graves. A resolução destas dificuldades depende muito da capacidade dos membros do casal para exporem as suas dúvidas, as suas inseguranças, ou até os seus bloqueios, de forma honesta. Quanto maior o diálogo entre os cônjuges, maior a probabilidade de ultrapassarem com sucesso as suas dificuldades. A comunicação aberta e livre de preconceitos permite que os casais resolvam, por si próprios, muitas destas dificuldades. E, quando isso não é possível, permite-lhes chegar rapidamente à conclusão de que precisam de recorrer à ajuda especializada.


O MEU CÔNJUGE COMPENSAR-ME-Á POR TODAS AS FRUSTRAÇÕES DO PASSADO.

ERRADO:

A vida a dois constitui uma oportunidade para que as pessoas possam formar a sua própria família nuclear, desvinculando-se de alguns padrões de relacionamento negativos da família de origem ou de relações anteriores. Os membros do casal têm, por isso, oportunidade de “escrever” a sua própria história à medida dos valores e dos princípios de vida em que acreditam. Contudo, nem o passado pode ser apagado, nem ninguém tem varinhas de condão capazes de transformar a realidade num conto de fadas. Cada pessoa deve esperar do seu cônjuge um conjunto de qualidades e defeitos. Nesse sentido, é natural que nem todas as experiências vividas a dois sejam positivas. Todos os cônjuges erram e não devem ser crucificados por isso. Pelo contrário, os conflitos permitem que a relação amadureça.


O CONFLITO É MAU PARA A RELAÇÃO.

ERRADO:

O conflito, por si só, não é prejudicial à relação. O problema está na forma como os casais discutem. Aqueles que transformam cada discussão numa batalha da qual só um sairá vencedor, tendem a sentir-se encurralados nos próprios conflitos. Mas os casais que encaram as divergências como parte integrante da relação amorosa, capaz de contribuir para a intimidade do casal, ultrapassam com relativa facilidade as divergências.


© Cláudia Morais
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CASAR OU VIVER JUNTOS?


Se há algo que mudou ao longo das últimas décadas foram as regras a respeito do casamento e da co-habitação e essas alterações são observáveis em contexto clínico. Os casais mais jovens raramente optam pelo casamento sem que haja um período de co-habitação prévio; os casais mais antigos referem quase sempre que uma decisão como esta estava fora do seu alcance devido às normas sociais vigentes na altura em que se conheceram. De facto, há 30 ou 40 anos era praticamente impensável que uma rapariga pudesse sair de casa dos pais para viver com o namorado.

Hoje mais de metade dos casais optam pela co-habitação e desses só uma parte é que oficializa a relação, pelo que importa olhar para as diferenças destes dois formatos. Antes de mais, a generalidade dos casais aponta razões de ordem prática na altura de avançar para a co-habitação: pagar a renda de uma casa é mais barato do que suportar duas rendas; limpar e arrumar um só apartamento é menos pesado. Por outro lado, a maior parte destes casais também reconhece que a co-habitação pode servir para avaliar até que ponto conseguem adaptar-se à vida a dois, para se prepararem para o casamento ou para testar se é realmente com aquela pessoa que vão querer passar o resto da vida. Mas ao contrário do que são as expectativas dos jovens casais, o facto de duas pessoas viverem juntas antes de casar pode não ser sinónimo de aprendizagem e muito menos de garantia de felicidade.

Nalguns casos há diferenças significativas entre as expectativas com que cada um dos membros do casal parte para a co-habitação, o que pode determinar os níveis de satisfação conjugal. Por exemplo, é relativamente comum deparar-me com casais que, estando a viver juntos há alguns anos, enfrentam divergências em relação à oficialização da relação – um quer casar, enquanto o outro prefere manter a união de facto. Ora, de um modo geral, os casais que vivem juntos sem planos para casar mostram-se mais insatisfeitos com a sua relação conjugal do que os casados. No entanto, as pessoas que vivem juntas e que alimentam o sonho de casar apresentam níveis de satisfação conjugal semelhantes aos das pessoas casadas.

No que diz respeito à probabilidade de separação também existem diferenças significativas entre estes dois grupos: a probabilidade de ruptura no primeiro ano de vida em comum é oito vezes maior entre os casais que optam por viver juntos em vez de casar; no segundo ano a probabilidade é quatro vezes maior; e no terceiro ano é três vezes maior.

Um estudo recente veio mostrar que se uma pessoa já viveu com vários parceiros amorosos a probabilidade de vir a casar é menor do que se a experiência de co-habitação apenas foi partilhada com um companheiro. Mais: quando alguém que já viveu em união de facto várias vezes decide casar, a probabilidade de divórcio é muito alta (mais do dobro do que entre as pessoas que só viveram juntas com um parceiro).

E COMO MANTER UM CASAMENTO?


Existirá o amor incondicional? Se sim, porque é que casais que se dizem amar tanto, têm problemas? A ênfase no amor não fará esquecer os exigentes desafios de um matrimónio?

Vivemos numa época em que, felizmente, a generalidade das pessoas casa por amor, e não para corresponder a quaisquer convenções. As investigações na área da satisfação conjugal indicam-nos que a probabilidade de sermos felizes no casamento aumentam quando casamos apaixonados – casar com o grande amor da nossa vida pode não ser uma receita para o sucesso, mas é um passo importante.

Mas um casamento não depende apenas do amor apaixonado. Pelo contrário, para que um casal se mantenha feliz ao longo do tempo é necessário que alguns pilares sejam desenvolvidos e para isso é preciso tempo.
Tal como diz o verso da canção, “To know you is to love you”, ou seja, para que o amor cresça é preciso conhecer o outro e aceitá-lo como ele é. Pode parecer uma tarefa fácil, mas este é provavelmente um dos grandes desafios do casamento: conhecer os marcos, as vulnerabilidades, as preocupações ou os interesses do cônjuge. Mantermo-nos actualizados acerca destes itens implica um investimento contínuo, regular. Em suma, implica investir activamente em conversas diárias para que cada um dos membros do casal se mantenha a par do “mundo” do outro.


É possível amar incondicionalmente a pessoa que escolhemos para estar ao nosso lado, mas para isso é preciso reconhecer que, do mesmo modo que não existe nenhuma pessoa perfeita, também não existem casamentos perfeitos. Existem, sim, casamentos em que as pessoas se sentem satisfeitas. Mas mesmo nos casamentos felizes e duradouros há problemas, conflitos e tensão. Aquilo que diferencia estes casais daqueles que enveredam pelo divórcio são os alicerces que vão sendo construídos e que, como já referi, incluem a aceitação das características do outro. Mas ser emocionalmente inteligente no casamento implica também reconhecer que nem todos os problemas são resolúveis. Mais: na maioria dos casos, os problemas acabam por ser apenas geridos. Mas aqueles que envolvem a busca de uma solução requerem a capacidade para fazer cedências. Para que a relação saia a ganhar, é preciso que ambos “percam” um pouco nalguns casos.

Voltando às investigações nesta área, é sabido que as pessoas que são felizes no casamento são aquelas que apresentam os níveis de bem-estar mais elevados. Neste “ranking” o segundo lugar é ocupado pelas pessoas solteiras, seguindo-se os divorciados e os viúvos. O fim da lista é ocupado pelas pessoas infelizes no casamento. Por outras palavras: quando os membros do casal são capazes de reconhecer que é preciso “trabalho” para manter uma relação feliz, tudo corre bem. Mas quando o amor é minado por dificuldades a que os membros do casal não dão resposta, o casamento pode transformar-se num martírio.

Reconhecer que se ama e que se quer continuar a amar não é “esquecer os exigentes desafios de um matrimónio”, mas antes identificá-los e geri-los. É o facto de amarmos muito uma pessoa que nos leva, por exemplo, a travar a escalada em momentos de tensão (quebrar o gelo), ainda que nem sempre tenhamos consciência desses comportamentos, que acabam por ser micro tentativas de reconciliação. E é também o facto de amarmos o nosso cônjuge e de construirmos memórias afectivas positivas que nos impede de alimentar os pensamentos negativos a seu respeito. Nos casamentos felizes e duradouros também pode existir ira, mas esse tipo de emoções é largamente suplantado pelas emoções positivas, pelo que a balança pende sistematicamente para o lado da manutenção da relação.

Finalmente, reconhecer que se ama e que se quer continuar a amar implica alimentar os afectos e manifestar a admiração mútua de forma contínua, ou seja, não dar o outro como garantido. Do mesmo modo que não nos esquecemos de criticar ou de reivindicar as nossas necessidades, importa ser capaz de agradar ao nosso cônjuge e de manifestar os sentimentos positivos.

O aparecimento de dificuldades não é, em si mesmo, um perigo para o casamento. De facto, os casais que se unem perante as adversidades acabam por ver o seu amor fortalecido. Porquê? Porque se viram um para o outro, em vez de se voltarem para fora da relação; e porque, apesar dos problemas, sabem que não devem criticar-se de modo destrutivo.

Assim, em vez de afirmar, como os Beatles, que “All you need is love”, diria que aquilo que é preciso é reconhecer que a pessoa que amamos é a pessoa mais importante da nossa vida.



SINAIS DE QUE UM CASAMENTO ESTÁ EM RISCO


Nenhum casamento (ou relação amorosa) é imune a problemas, mas ainda que qualquer adulto razoável seja capaz de assumir que nenhuma relação conjugal é um contínuo mar de rosas, dificilmente ouvimos alguém afirmar que atravessa uma crise conjugal. A expressão, quase sempre usada para rotular outras relações, acarreta um nível de perigosidade que poucas pessoas estarão dispostas a reconhecer.
Claro que aqueles que assumem que a sua relação está em risco podem, pelo menos, agir atempadamente. Os mais exímios na arte de escamotear os sinais de que o casamento está em risco vivem uma espécie de “paz podre”, mas a ruptura é só uma questão de tempo. Neste caso, a vergonha associada à assunção de que há dificuldades sérias no casamento e a relutância em pedir ajuda permitem que os problemas cresçam, minando várias áreas da conjugalidade, como se se tratasse de uma doença terminal.


O primeiro sinal de que um casamento não está bem diz respeito ao arranque das discussões. Apesar de os conflitos conjugais implicarem normalmente uma boa dose de tensão, de um modo geral a escalada vai crescendo gradualmente. Quando as dificuldades conjugais atingem um ponto próximo da ruptura não são precisos mais do que 3 minutos para que pelo menos um dos membros do casal esteja absolutamente enervado. Mesmo que não haja gritos, mesmo que as palavras sejam ditas num tom aparentemente calmo, é possível identificar nestes casais elevada agressividade logo no início da discussão. A “conversa” começa imediatamente com uma crítica ou com o uso do sarcasmo e termina, inevitavelmente, de forma negativa. Imaginemos um casal a discutir sobre a divisão das tarefas domésticas: um arranque ríspido implicaria, por exemplo, que a mulher “bombardeasse” o marido, logo nos primeiros minutos com comentários destrutivos como “Pedi-te para tratares da loiça e não o fizeste. Ontem tive que despejar o lixo que te esqueceste de levar. Agora perguntas-me se quero que faças o jantar! Eu já não sei se tu és capaz de fazer alguma coisa sozinho!”.

Outro sinal de que o casamento está (seriamente) em perigo é a presença de indicadores de desprezo entre os membros do casal. Gozar com o cônjuge, usar humor hostil ou expressões sarcásticas não é propriamente o mesmo que fazer uma “boa” piada. Algumas pessoas juram a pés juntos que os seus comentários sarcásticos são apenas piadas, mas na verdade trata-se de puro veneno, que deixa marcas e que, a prazo, é fatal.

A forma mais óbvia de desprezo conjugal é a utilização de nomes feios. Ainda que se peça desculpa, quando o desrespeito pela pessoa que se ama atinge o ponto de serem trocados os maiores insultos, algo está muito mal.

Mas também é possível desprezar o cônjuge sem abrir a boca. Quando um dos membros do casal revira os olhos enquanto o outro fala está a demonstrar toda a repugnância que sente. A mensagem que emite é algo do tipo “Já não te posso ouvir. Odeio-te”.

De um modo geral, o desprezo manifestado por um dos cônjuges leva o outro a adoptar uma postura excessivamente defensiva, o que constitui outro sinal de que o casamento está em risco. Quando os membros do casal são incapazes de recuar nos seus ataques ou de pedir desculpa, estão a fazer com que o outro se sinta culpado, o que potencia a escalada, eterniza o braço de ferro (“Eu sei que tenho razão e por isso não lhe devo desculpas”) e acaba por ser fatal.

Nos casamentos mais longos há outro sinal que salta à vista e que é muito mais frequente nos homens: trata-se do isolamento. Neste caso, mesmo que a mulher se farte de gritar, o marido é incapaz de desviar a sua atenção da TV ou do jornal, o que faz com que a esposa se sinta cada vez mais enervada. Quanto mais ela se irrita, mais ele procura evitá-la, podendo mesmo deixá-la a falar sozinha, retirando-se. Neste caso não há apenas uma evitação da discussão – há um desligamento da própria relação (“Já não quero saber”).


Como medir a força de um homem



A força de um homem não é vista pela largura dos seus ombros
Vê-se pela largura de braços que o rodeiam.

A força de um homem não está no tom profundo da sua voz.
Está nas palavras delicadas que sussurra.

A força de um homem não é medida por quantos amigos ele têm.
É medida no quanto é um bom amigo para os seus filhos.

A força de um homem não está em como é respeitado no trabalho.
Está em como é respeitado no repouso.

A força de um homem não está no cabelo do seu peito.
Está no coração que se encontra dentro do seu peito.

A força de um homem não está em quantas mulheres amou.
Está em saber amar verdadeiramente uma mulher.

A força de um homem não está em como luta.
Está em como amorosamente ele toca.

A força de um homem não está no peso que pode levantar.
Está na carga que pode compreender e superar.

SUICÍDIO


"O suicídio faz com que os amigos e familiares se sintam seus assassinos"
(Vicent Van Gogh)


O termo suicídio foi utilizado pela primeira vez em 1737 por Desfontaines. O significado tem origem no latim, na junção das palavras sui (si mesmo) e caederes (acção de matar). Esta conotação específica a morte intencional ou auto-infligida. Num aspecto geral, o suicídio é um acto voluntário pela qual um indivíduo possui a intenção e provoca a própria morte.

O suicídio é a consequência de uma perturbação psíquica. A tensão nervosa que envolve, e culmina nos conflitos intrapsíquicos de gravidade acentuada, transtorna a tal ponto que a morte torna-se o único refúgio e a inevitável solução dos problemas. Inconscientemente, o suicida tentou depositar a culpa da sua morte nos outros indivíduos que compõem o seu ambiente social, principalmente nos familiares. Neste caso o suicídio funciona como um ''castigo''. É como revidar uma agressão do ambiente que o envolve.

Entre os jovens (faixa etária que compreende dos 15 aos 24 anos) o suicídio já é a terceira causa de morte, atrás apenas dos acidentes e homicídios.

Os conflitos mais comuns que desencadeiam os suicídios entre os jovens são encontrados na educação, criação e conduta familiar dos indivíduos. O sentimento de culpa imposto pelas chantagens emocionais, agressões, castigos exagerados, criação e imposição de uma auto-imagem irreal ao indivíduo, o abandono afectivo e a superprotecção, são as principais causas dos suicídios cometidos entre os jovens.

A soma desses, e outros factores menos relevantes, resultam numa desorganização da personalidade em desenvolvimento, desequilibra continuamente o sistema nervoso e desencontra o indivíduo do seu ego. Por consequências superficiais temos o bloqueio intelectual, a constante desmotivação pelas actividades quotidianas (como os estudos), a necessidade de uma fuga psíquica e o entorpecimento mental. Novamente o suicídio é o resultado mais grave dos desequilíbrios.

Indicadores de Risco

Geralmente o suicídio não pode ser previsto, mas existem alguns indicadores de risco:


  • Tentativa anterior ou fantasias de suicídio.
    Disponibilidade de meios para o suicídio.
    Idéias de suicídio abertamente faladas.
    Luto pela perda de alguém próximo.
    História de suicídio na família.
    Pessimismo ou falta de esperança.

    Suicídios no mundo:


  • No mundo suicidam-se diariamente 2000 pessoas.*
    Nos Estados Unidos são 30.000 suicídios por ano (quase 100 por dia).
    No geral, 7% dos suicidas sofrem de dependência alcoólica.
    Aproximadamente 90% de quem tenta, avisa antes.
    Em torno de 70% dos suicídios, acontecem em decorrência de uma fase depressiva.
    Quem já fez uma tentativa, tem 30% mais chances de repetir, do que quem nunca tentou.


  • * Esses valores podem ser maiores, pois muitos casos de suicídios são considerados acidentes.

Alimentação de primeira na 3ª idade



Não há idade em que deixe de ser importante seguirmos uma alimentação saudável! Segundo as leis da natureza, todos nós seremos velhinhos um dia, e como seres biológicos que somos (tal como o leite que se estraga, e mais rapidamente se deixado fora do frio), somos ‘doentes em potencial’. Mas podemos contrariar esta tendência se aplicarmos à nossa vida mais equilíbrio e rituais de vida saudável.

Um dos maiores desafios e problemas de saúde da actualidade, das sociedades ditas desenvolvidas, é o aumento da longevidade das populações, paralelamente ao aparecimento de doenças crónicas. As doenças com mais custos associados, quer em termos financeiros quer em termos de qualidade de vida, estão directamente ligadas à alimentação e aos estilos de vida.

A nutrição, optimizada através duma alimentação saudável, tem inúmeros benefícios para a saúde e o bem-estar:


⇒ Em caso de doença, minimiza os seus efeitos. É necessária para manter o corpo em bom estado de funcionamento e prevenir doenças.


⇒ Promove a saúde, ajudando a reduzir os factores de risco das doenças crónicas não transmissíveis, tais como as doenças do coração, cancro, diabetes e osteoporose, além de melhorar o sistema imunitário.


⇒ Prolonga a independência e a longevidade na terceira idade, mantendo uma melhor visão, fortalecendo os ossos, melhorando as capacidades intelectuais, a força física, a agilidade e a resistência.


Como consequência, a manutenção dos relacionamentos sociais, familiares e emocionais torna-se mais fácil. Ou seja, mais anos, com mais qualidade de vida. Estes benefícios são para todos os adultos seniores – desde os mais independentes e novos, aos mais fragilizados e com mais dependências.


Sendo assim, o papel dos nutricionistas e dietistas torna-se indispensável através da educação e do aconselhamento alimentar – em intervenções junto da população e em colaboração com as instituições que os servem. As ideias propostas neste artigo deverão ser ajustadas aos objectivos particulares dos indivíduos, não substituindo uma consulta da especialidade.


Necessidades alimentares na 3ª idade: problemas comuns e algumas soluções


1. Na alimentação de muitos seniores faltam nutrientes-chave para uma boa saúde;


2. Alguns não ingerem calorias suficientes (outros ingerem-nas em excesso);


3. Muitos não sabem as doses e as escolhas adequadas para uma alimentação equilibrada.


Uma alimentação equilibrada e saudável requer variedade e quantidades adequadas. Nenhum alimento fornece todos os componentes e nutrientes de que o corpo necessita para uma boa saúde: proteínas, hidratos de carbono, lípidos, vitaminas, minerais, fibra, etc.

A hidratação adequada também é importante, pois a água é necessária para todas as funções do nosso organismo. Assim, há que seguir as indicações da Roda dos Alimentos, eventualmente através dum plano alimentar, o que pode ser uma grande ajuda. O delineamento de uma boa dieta deve ter em conta vários factores: estado de saúde, idade, nível de actividade, situação social e familiar, poder de compra, zona de residência, proximidade de supermercados, medicamentação, mobilidade, grau de independência, preferências e hábitos, etc.

PARABÉNS LEGIÃO DA BOA VONTADE PELOS TEUS 20 ANOS EM PORTUGAL



“Olá! Sou a Maria*, uma menina de 19 anos, feitos em Outubro passado. Aqui escrevo pois, quando me lembro quase todas as noites dos kits, das roupas, das ajudas, das palavras e… de uma frase de um senhor cujo nome não sei: “Vá lá Maria! No próximo final de semana não te quero ver aqui”. E assim foi. Mudei de trabalho, ganho mais dinheiro (…) Parava eu na Rua Júlio Dinis. Todas as noites, a partir das 9,30 até às 23,30h à semana e ao fim-de-semana até à hora em que a Legião da Boa Vontade vinha e trazia aquela saborosa sopa e aqueles kits maravilhosos que duravam quase quatro dias. Olho para trás e… tanta gente me queria bem, tanta gente me ajudava. A verdade é uma: não me esqueço, nem nunca irei esquecer, embora às vezes quando olho para trás, tenha uma lágrima a cair dos olhos. Se alguma das pessoas que me conheceu ler este e-mail, um beijo enorme e um obrigado por mim e por todos os que estavam na fila comigo”.


O testemunho e as palavras de agradecimento chegaram no passado mês de Janeiro ao correio electrónico da Legião da Boa Vontade (LBV), uma instituição educacional, cultural, de solidariedade social e ecuménica, que actua em Lisboa, no Porto e em Coimbra. A carta virtual pertence a Maria (nome fictício), uma das sem-abrigo que recebia apoio da LBV nas noites do Porto.


Nas madrugadas frias de Inverno, a LBV sai à rua para a Ronda da Caridade e dá apoio a aproximadamente 200 sem-abrigo em Lisboa e cerca de uma centena no Porto. É um trabalho itinerante de apoio a quem dorme na rua, que percorre as principais artérias das cidades do Porto e Lisboa, a distribuir, para além da sopa quente, pão, leite, sumos, frutas, iogurtes, calçado, roupas e cobertores. A Ronda da Caridade é realizada duas vezes por semana no Porto, desde 1993 e três na capital, desde 1998, datas de início do programa em cada cidade. As equipas são constituídas por voluntários e existem algumas diferenças entre ambas as cidades. “No Porto temos quinze locais de paragem e em Lisboa apenas meia dúzia, mas atendemos um número maior de sem-abrigo. No Porto a população está muito mais dispersa”, explica Isabel Teixeira, técnica de serviço social.


Este trabalho estende-se por toda a semana, nas instalações do Centro Social da LBV, onde os utentes recebem orientação, alimentação, roupa e calçado, tendo em vista a reinserção social. “A Ronda da Caridade tem um perfil emergencial, pois é uma situação já instalada que precisa de um apoio imediato, mas no Centro a ideia é conversar com as pessoas para ajudá-las na reinserção”, diz Noys Rocha, assessora da LBV. A instituição funciona num espaço arrendado e uma das lutas que querem levar a cabo é conseguir instalações próprias para poder adaptar ao trabalho que fazem.


No mês de Janeiro, atendendo à vaga de frio e às baixas temperaturas que se fizeram sentir, a instituição reforçou, desde o início do mês, o atendimento aos sem-abrigo, com a realização da Ronda todas as noites na cidade do Porto. “A princípio estávamos apreensivos, porque a ronda é feita por voluntários e não sabíamos se iríamos ter pessoas disponíveis para todos os dias, mas felizmente conseguimos mobilizar muita gente”, explica a assessora. Refira-se que em média a Legião faz 5200 atendimentos por mês, na grande maioria homens. “Há muitos sem-abrigo que têm formação, alguns até superior que estão nas ruas provisoriamente, por alguma situação de infelicidade e são principalmente esses que têm mais capacidade para a reinserção”, explica Noys Rocha.


O projecto nasceu no Brasil, país onde foi fundada a LBV em 1950. Em Portugal, a Legião iniciou o seu trabalho na cidade do Porto, em 1989. Com 20 anos de existência em terras lusitanas, a acção da Legião da Boa Vontade é desenvolvida em todo o país, com sede nas cidades do Porto, Coimbra e Lisboa. Esta acção é efectuada através dos diversos programas existentes: Sorriso Feliz, Um passo em Frente, Ronda da Caridade, Viva Mais, Semente da Boa Vontade, Juventude da Boa Vontade, Campanha do Quilo e Desporto é Vida não-violência. A instituição estende o seu trabalho por vários países: Brasil, Argentina, Bolívia, EUA, Paraguai e Uruguai. Em Portugal a instituição vive de doações e patrocínios de particulares e empresas.


PARABÉNS LEGIÃO DA BOA VONTADE