Dois dos seus componentes são dos mais importantes compostos medicinais encontrados em plantas nos últimos 40 anos. É especialmente recomendada para a perda de memória. A pervinca ou vinca é uma planta herbácea perene, comum na Europa Central e Meridional. Cresce bem em florestas, formando lindos tapetes verdes salpicados de pequenas flores em tons lilás, sebes e mantos em beiras de caminhos, margens de rios, entre outros locais.
Na sua composição, contém taninos, flavonas, glúcidos, sais minerais, vitamina C, pectina e alcalóides indólicos, (vincamina e vincina). Os alcalóides, principalmente a vincamina têm uma acção anti-espasmódica, hipotensora, vasodilatadora cerebral e coronária.
É utilizada em casos de perturbações circulatórias cerebrais. Os flavonóides conferem-lhe uma acção tónica venosa e da microcirculação.
É adstringente e tónico digestivo amargo, recomenda-se em casos de anemia pois reduz os glóbulos brancos, podendo ainda ser utilizada nalguns casos de Leucemia (especialmente a vinca-rósea de Madagascár), vertigens, enxaquecas, perdas de memória e fragilidade capilar, seca o leite materno e estanca hemorragias do útero, da boca e do ânus, em gargarejos para problemas de anginas.
A pervinca de Madgáscar, que era aplicada naquela região e noutras zonas tropicais e subtropicais contra a diabetes, conduziu a uma extensa investigação sobre as suas propriedades chegando-se à conclusão que dois dos seus componentes, a vincristina e a vinblastina, são eficazes agentes anticancerígenos, sendo dois dos mais importantes compostos medicinais encontrados em plantas nos últimos 40 anos.
Esta planta é cultivada com fins comerciais como planta ornamental de jardim. A planta e raíz são colhidas no Verão. Na fitoterapia ocidental, utilizam-se apenas as folhas e convém serem adequadamente doseadas: entre 30 a 40 g ou uma colher de sobremesa por chávena de infusão que se deve tomar três vezes ao dia ou conforme aconselhamento profissional.
No jardim
A pervinca gosta de terrenos sombrios, calcários ou argilosos. Normalmente cresce rente ao solo mas também trepa, podendo atingir mais de 60 cm de altura. Tem caules que criam raízes, folhas elípticas muito brilhantes e flores de cinco pétalas de cor lilás ou azul–arroxeado.
É também cultivada em jardins como planta ornamental, mas desenvolve-se muito rapidamente e em pouco tempo toma conta de todo o jardim. É, por isso, uma planta que necessita de muito espaço.
Em Portugal cresce espontâneamente no Buçaco, em Bragança, no Fundão e na Serra de Sintra, ou seja no Norte e no centro do país, não se desenvolvendo tanto em zonas mais a Sul e mediterrânicas.
Existem essencialmente três variedades: aVinca minor L. também conhecida por congossa, a Vinca major L. e Vinca rosea L ou pervinca de Madagáscar, todas elas da família das Apocynaceas. As flores da vinca rosea são de cor branca a vermelha.
Histórias de bruxas
Tal como grande parte das plantas, a pervinca está também associada a histórias de bruxaria e magia.
No século II d.C., Apuleio refere a pervinca no seu "Herbarium" contra as doenças do diabo e possessões demoníacas, serpentes e animais selvagens.
Não será por acaso que no folclore inglês seja conhecida por devil´s joy, (prazer do diabo) ou sorcerer´s violet (violeta das bruxas) e ainda hoje nalgumas aldeias da Inglaterra e Irlanda se pendura um ramo de pervinca para dar boa sorte e proteger dos maus espíritos.
Na Idade Média era considerada a flor dos poetas e dos feiticeiros que a utilizavam na composição de filtros de amor. Aconselhavam ainda contemplar estas flores para acalmar a vista cansada e melhorar a memória.
Já em 1554, o médico naturopata e botânico italiano Mattioli lhe atribuía propriedades medicinais, indicando-a contra as hemorragias nasais. Durante muitos anos se acreditou na sua eficácia para o tratamento de doenças pulmonares. Nas Caraíbas, as flores da vinca rosea são utilizadas na medicina popular como loção ocular calmante e nas Filipinas como antidiabético.
Revista Saber Viver
Sem comentários:
Enviar um comentário