
Sabem, por acaso, há quanto tempo se realizou em Portugal o último “Congresso Feminista ? Foi em Junho de 1928. Quem me conhece sabe o que penso dessa coisa do feminismo, e por isso vou abster-me de mais considerandos. Mas não resisto a uma pequena provocaçãozinha!
Se o feminismo assenta na ideia da afirmação e da exaltação da mulher na modernidade, não é estranho que, para servir um objectivo como esse, se tenha de recuar 80 anos e recuperar um conceito como este? Será que enquanto alguns discutem a crise e buscam formas de agilizar a sua resolução, outros andam preocupados com pequenos grandes dramas do feminismo? Convém não confundir conceitos: os direitos das mulheres são iguais aos dos homens e têm de ser vistos com o mesmo respeito, com essa coisa do feminismo mais não é, em muitos casos, do que uma tentativa de reverter a milenar situação de inferioridade do sexo feminino com um desejo abjecto de superioridade, que não se justifica. A maior parte das feministas quer tomar o lugar que há muitos séculos é ocupado por homens, e não afirmar a igualdade entre géneros, esse sim um desígnio essencial de futuro.
No sector da cortiça as mulheres chegam a receber menos 100 euros de salário do que os homens que trabalham ao seu lado e desempenham “exactíssimamente” as mesmas funções. E estamos a falar de ordenados que rondam 500 ou 600 euros, o que evidencia bem a importância de cada cêntimo. A discriminação racial no trabalho não constitui, infelizmente, novidade ou surpresa em Portugal. No entanto, o que me chamou a atenção há dias, quando um sindicalista do sector comentava este assunto num bloco noticioso de um canal de televisão, foi ele ter afirmado que inicialmente as mulheres concordavam com esta situação, por considerarem que é dever do homem sustentar a família, e que deverá ser ele a levar para casa o maior ordenado, e mais espantoso ainda (ou talvez não), que os trabalhadores aceitaram um plano de progressiva aproximação dos ordenados de homens e mulheres para os próximos oito (sim, oito) anos. Rica igualdade!
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