Por vezes, evocamos um conceito positivo e saudável nas relações românticas, mas no final o resultado daquilo que fazemos é o oposto: revela-se disfuncional e, em última instancia, patológico. As nossas emoções “românticas” podem assumir um papel demasiado intenso e “sagrado” nas nossas vidas, gerador de pressão e controle, levando a que acabemos “presos” às nossas fantasias e atitudes organizadas em crenças disfuncionais e/ou mecanismos de “fuga” das emoções dolorosas.
Refiro-me, por exemplo, ao conceito do AMOR. A paixão pode ser um estímulo suficientemente forte para se procurar alguém para AMAR. Por vezes, depois da paixão, nada resta senão a separação.
Então se o AMOR na relação romântica é uma necessidade básica de qualquer ser humano (dar e receber afecto, confiança, honestidade, intimidade e compromisso, obviamente não confundamos com coisas materiais), então porque tornamos as relações românticas disfuncionais em nome do AMOR?
Cada vez mais surgem casos de indivíduos do sexo masculino e feminino que se sentem insatisfeitos e infelizes nas suas relações. Não encontram “um ambiente” e energia suficientes para arriscarem e assumirem o seu projecto – amor na relação romântica.
Um novo estudo veio revelar que um vínculo demasiado intenso (apegado) numa relação romântica pode revelar-se prejudicial. Relacionamentos românticos definem laços especiais de intimidade e de compromisso entre os seus parceiros. Em muitos casos, um pacto apaixonado (a que apelidamos de namoro) conduz a relações duradouras e, em último caso, à constituição de famílias.
Por vezes, um ou ambos (parceiros) colocam um anseio e uma expectativa demasiado elevada (preocupação irracional) na sua relação. Como resultado, manifestam uma disposição (disfuncional) em exprimir e avaliar a auto estima e os limites, baseando-se somente no resultado das suas interacções românticas.
Isto é, se a relação está positiva está tudo bem, caso contrário, sentem-se exageradamente culpados e frustrados por a relação não apresentar os sinais de segurança que seria suposto. Não se permite sentir as emoções desconfortáveis, a impotência e as angustias “livremente.”
Imediatamente, reagem ansiosos e estabelecem planos e projectos para “salvar” a relação romântica e/ou “fugir” à dor. Assumem-se os salvadores, em nome individual, daquela situação que é interpretada como negativa para a relação romântica. Em muitos casos, reagem(impulsivamente) em nome do amor, quando na realidade é o oposto.
Acompanho casos de indivíduos, homens e mulheres, com comportamentos obsessivos que afirmam que não pensam noutra coisa senão no seu parceiro/a.
Alguns ex. Onde está…? Com quem está…? Se não atende o telefone, algo de errado se está a passar, ou, se um dos parceiros afirma não estar disponível para fazer sexo, é porque já não existe amor na relação, etc.
Sabemos que estes comportamentos desgastam a relação e prejudicam a qualidade de vida do indivíduo. O fenómeno da Relação-Duvidosa que Afecta a Auto Estima pode provocar alterações bruscas num dos parceiros após a separação, o divorcio ou haver ameaças sérias à integridade física – ex. violência doméstica.
Se, no inicio de uma relação, este tipo de comportamentos disfuncionais for identificado, poderá prevenir consequências negativas e traumáticas ou servir para que ambos reconheçam e admitam que afinal são incompatíveis.
Raymond Knee e o seu grupo de trabalho observaram o impacto do fenómeno da Relação-Duvidosa que Afecta a Auto Estima entre jovens estudantes heterossexuais numa série de estudos.
Neste estudo, durante 14 dias, 198 participantes efectuavam um registo diário em que registavam os momentos mais positivos e os mais negativos nas suas relações românticas. Também era pedido aos participantes que registassem os seus sentimentos e os sentimentos sobre a relação.
Dr Knee afirmou: “Neste estudo particular, aquilo que descobrimos foi que aquelas pessoas com níveis elevados de Relação Duvidosa que Afecta a Auto Estima sentiram-se pior (desconfortáveis, facilmente magoados) em relação a si próprios durante os momentos negativos na relação. Para que tal acontecesse, não importava a causa do acontecimento negativo ou quem era culpado.
Isto é, em vez de pensarem com clareza, analisarem a situação racionalmente e determinar a melhor decisão, estes indivíduos com altos níveis Relação Duvidosa que Afecta a Auto Estima estão mais dispostos a reagir emocionalmente a situações directamente relacionadas com a relação.
É aquilo que os psicólogos apelidam de Relação-Duvidosa que Afecta a Auto-Estima e que, segundo o investigador Raymond (Chip) Knee Ph.D. da Universidade de Houston, é um factor negativo para a relação romântica, assim como para a auto estima de um ou ambos parceiros.
Segundo o Dr. Raymond (Chip) Knee, Professor Assistente de Psicologia e Director do Departamento de Relações Interpessoais e de Pesquisa em Grupos de Motivação da Universidade de Houston, “os indivíduos que apresentam níveis elevados do fenómeno Relação-Duvidosa que Afecta a Auto Estima estão excessivamente comprometidos (apegados) às relações romãnticas e também demasiado vulneráveis emocionalmente. Ex: caso surja algum tipo de adversidade/conflito, basta uma pequena discórdia para que despolete todo um conjunto de problemas que assumem dimensões desproporcionadas ou catastróficas.
Ouço relatos de um dos membros do casal que afirma “discutimos e zangamo-nos durante dias e por vezes semanas por coisas insignificantes, quando na realidade não são assim tão importantes. Na altura, não se consegue pensar naquilo que se diz e/ou faz. Só mais tarde, de “cabeça fria”, se chega à conclusão que afinal todo aquele aparato não passou de um disparate”. Por vezes, estas discussões acabam em agressões verbais e total desrespeito, que afectam a confiança na relação romântica entre parceiros.
Raymond Chip Knee acrescenta que a Relação-Duvidosa que Afecta a Auto Estima pode desencadear discussões, com base em argumentos banais, capazes de gerar episódios de depressão e ansiedade, tais como; uma errada interpretação de palavras, diferenças de opinião, uma critica/comentário à personalidade ou à aparência física. Segundo o especialista “um compromisso excessivo pode influenciar negativamente a relação.”
Um ou ambos os parceiros também podem desenvolver comportamentos maníacos e/ou obsessivos (ex. um dos parceiros exige uma atenção exagerada sobre si próprio em relação ao seu companheiro/a) directamente relacionados com o amor.
Quando algo afecta a relação romântica, estes indivíduos não conseguem separar-se (desapego emocional) do problema. Imediatamente, sentem-se ameaçados tornam-se ansiosos, mais deprimidos e hostis.
Para estes indivíduos, homens e mulheres, a relação torna-se o centro de todas as suas actividades e emoções. Dependem unicamente da aprovação do parceiro/a e assumem o papel de zeladores e responsáveis.
Se está numa relação romântica e se identifica com estes comportamentos disfuncionais, não vale a pena desesperar. Procure avaliar e realizar um trabalho interior, em seu nome (auto-estima e amor próprio) e só depois em nome do Amor na relação romântica. Monitorize as suas atitudes na relação e extra relação.
Por ex. que tipo de relação mantém com amigos e/ou amigas. Refiro-me à verdadeira amizade onde você fala e ouve sobre as suas inseguranças e duvidas, não do seu parceiro/a. Onde você sente-se respeitada por aquilo que é e não por aquilo que aparenta ser.
Esteja atenta aos seus pensamentos (rigidez e ou auto-crítica severa) ex, “Tens que fazer aquilo” ou “Deves estar atento a ele/ela, porque alguma coisa não está bem”. Procure comunicar e levar uma vida plena e saudável.
O que é afinal Amor numa relação romântica? E o que não é Amor, mas que por fazemos em nome do Amor?
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