quarta-feira, 6 de maio de 2009

Como é que a recessão pode apimentar as relações

Os despedimentos, as suspensões da produção e os PPRs a encolherem podem não parecer afrodisíacos naturais mas, segundo os especialistas em relações amorosas e sexo, o actual panorama financeiro está a fazer com que alguns casais, e até mesmo as pessoas solteiras, se apreciem mais umas às outras.

"Graças à recessão, as pessoas reavaliam o que é importante na sua vida," refere Amy Joelson, uma psicoanalista de Manhattan. Ainda é demasiado cedo para se realizar estudos empíricos de modo a avaliar o impacto da recessão nas vidas sexuais dos americanos, sublinha Paul Dobranksy, um psiquiatra de Chicago autor do livro The Secret Psychology of How We Fall In Love.

Na sua opinião, serão precisos anos até que seja possível elaborar um retrato exacto de como a crise económica alterou as vidas íntimas dos americanos. "Falem comigo daqui a cinco anos," refere.

Porém, existem informações baseadas em observações não científicas. Muito embora muitos dos doentes de Joelson, por exemplo, tenham confessado que se sentem ansiosos quando gastam dinheiro em artigos fúteis, a verdade é que ainda se sentem bem em relação à intimidade física.

"As pessoas debatem-se com sentimentos de culpa quando se mimam com todos os tipos de prazeres, como ir às compras ou a restaurantes caros; estes são tidos como comportamentos politicamente incorrectos. Mas não precisa de um plano de poupança reforma para ter relações sexuais," conclui.

A intimidade física é igualmente uma óptima forma de libertar a ansiedade, tensão e stress, indica a psicóloga e mentora de encontros de Nova Jérsia, Victoria Zdrok, autora do livro Anatomy of Pleasure: The Head to Toe Guide to Better Sex.

"As pessoas viram-se para o sexo para aumentarem os seus níveis de endorfina," explica Zdrok. O apertar do cinto significa que se passa mais tempo em casa. "Isso permite que as pessoas passem mais tempo sozinhas e mais na intimidade, o que origina mais relações sexuais," constata Zdrok.

Devido a todas as péssimas notícias sobre os mercados em queda e o crescente desemprego, alguns casais podem estar a desligar a televisão e a virarem-se mais um para o outro, explica Zdrok. "Já foi comprovado que as pessoas que vêem mais televisão têm menos relações sexuais," refere.

"Num estudo italiano, quando se tirou a televisão do quarto, a vida sexual dos casais melhorou." Mais um aspecto positivo da crise económica: com muitos americanos no desemprego ou em licença sem vencimento, as pessoas têm mais tempo para fazer exercício físico.

"O exercício físico é uma das formas das pessoas lidarem com o stress e a ansiedade," indica Ian Kerner, um conselheiro de relações amorosas de Nova Iorque, autor do livro Sex Recharge: A Rejuvenation Plan for Couples and Singles. "O exercício também é óptimo para estimular a libido e é uma óptima parte da saúde sexual," acrescenta Kerner. "O exercício fisíco aumenta o fluxo sanguíneo e predispõe-nos para a excitação sexual."

Os despedimentos e as suspensões temporárias das fábricas podem também fazer abanar a monotonia diária e introduzir o conceito de novidade, que pode despoletar relações sexuais espontâneas. "Sempre que são introduzidas novidades, a transmissão de dopamina no cérebro é estimulada," explica Kerner. "Aconselhei os casais a aproveitarem a recessão para quebrarem as rotinas."

Os especialistas concordam que os difíceis tempos económicos podem impelir os casais, bem como os solteiros, a virarem-se para os simples prazeres da vida. Para os solteiros, isso pode significar uma maior utilização de sítios de encontros na Internet, seguidos de pequenos encontros que podem conduzir a conversas mais íntimas e a relações mais profundas.

"Marcar um encontro e usar os métodos mais tradicionais de uma saída à noite é demasiado dispendioso," indica Jonathan Alpert, psicoterapeuta e autor de colunas de opinião em Manhattan.

Da mesma forma, os casais podem colocar de parte férias dispendiosas ou jantares em restaurantes de luxo em benefício de passatempos mais acessíveis que estimulam o estreitar de relações, como cozinhar o jantar em casa, alugar um filme, aninhar-se no sofá ou dar um passeio no parque e conversar. "Todas estas actividades encorajam a intimidade e a aproximação que melhoram a qualidade da vida sexual dos casais," refere Alpert.

Dobranksy concorda: "Todas as pessoas que perdem um emprego sofrem um rude golpe na sua dignidade. Isso oferece uma oportunidade para que o casal volte a descobrir os valores imaterias da vida, que são certamente aqueles relacionados com o amor e o romance."

Entretanto, a psicoanalista Joelson recomenda que os casais se mantenham concentrados na mais valia de uma vida sexual activa. "O sexo é uma óptima expressão da intimidade numa relação," refere Joelson. "Ter sexo é uma coisa realmente optimista; há a esperança que brota da crença de que juntos se pode criar algo melhor."

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