
Mentir, como todos sabemos, vai de encontro aos padrões morais de comportamento e é considerado “pecado” em alguns seguimentos religiosos. Temos uma visão bastante linear em relação a essa prática, colocando-nos em xeque quando, por impulso ou evasiva, acabamos “cometendo” esse acto nos nossos relacionamentos, que pode acarretar uma série de implicações para o nosso futuro, seja para estremecer a solidez da relação ou para pôr um ponto final naquilo que não tem mais credibilidade. Mentir, a meu ver, não é pecado, é ilusão!
Mentimos porque precisamos, por questão de ponto de vista, por omissão, por covardia, por receio de não conseguir expor com clareza o que passa pela mente e quais são as expectativas que temos em relação ao que está nos impulsionando a praticar esse ato. Mentimos por não encontrar saída imediata à determinada atitude que, grosso modo, desassemelha-se dos nossos procedimentos habituais. Mentimos por incongruência entre realidade e utopia, ou seja, simultaneamente, criamos dois espaços paralelos onde um é incompatível com o outro, tornando-se necessária a transgressão. Mentimos até para nós mesmos ao crer que o parceiro acreditou na nossa mentira ou que ele fala a verdade 24 horas por dia.
A necessidade de mentir (numa relação amorosa) talvez se dê por uma falha de comunicação. Em algum momento estamos pecando em palavras ou gestos o que queremos traduzir. Não, não me diga que quem ama não tem necessidade, às vezes, de mentir. Chegará o dia em que sentiremos gosto por namorar com a liberdade, com o auto conhecimento, com o nosso "eu" que clama por individualidade, ou até mesmo para encontrar respostas a anseios que passam apenas pela nossa mente, não do parceiro. Facto é que pensamentos e preferências são coisas exclusivas de cada ser humano e, salvo raras excepções, convergir em 100% essas peculiaridades é impossível.
Para se descobrir que alguém mentiu ou anda a mentir é necessário um bom tempo de observação a fim de concluir em que pontos o comportamento diverge do carácter ou da personalidade desse indivíduo. Uma vez comprovada a versão dos factos, é hora de esclarecê-la ou esquecê-la. Sim, pois há verdades que não cabem à nossa realidade ou não queremos que caibam. É preciso, então, guardá-las apenas na memória, ignorando os possíveis danos emocionais, impedindo-os que venham à tona. Seria essa a saída para manter o que pensamos ser o nosso prognóstico de vida? Ou seria ilusão para manter o relacionamento?
Experimente fazer um teste - comente que encontrou um ex-namorado do tempo de faculdade e o convidou para um café, descreva, em detalhes, sobre o olhar mais demorado que lança ao primo dele sempre que o vê; faça uma pequena lista de defeitos que ele tem e que a irritam profundamente. Ele vai adorar saber! Inclusive, vai ajudá-la a decifrar todos os pensamentos que passam pela sua mente, sem você mesmo saber por quê.
Todas as omissões que cometemos no dia a dia também não deixam de ser uma falsa fantasia de estarmos a ser verdadeiros com o outro. É uma ilusão romântica de que, para continuarmos com o carácter inabalado e o amor em temperatura estável, jamais deveremos mencionar os desejos proibidos, as aspirações individuais e o quanto sonhamos sozinhas, caladas, contidas, com catarses interiores que só a nós dizem respeito e fazem sentido. Isso vale também para as meias-verdades e as distorções ocasionais que acabamos desenvolvendo para nos livrar do desconforto inquisitório a que poderemos ser submetidas.
Se vamos ou não adoptar essa prática em algum momento da nossa vida, só as circunstâncias poderão dizer. Se a nossa postura diante desse meio ilícito for sempre tida como normal, acredito que tenha chegado a hora de pesar o quanto estamos sendo verdadeiros connosco mantendo em sigilo um lado da nossa história que talvez não mereça ser camuflado. Quando a mentira é imensamente maior do que aquilo que se pode mostrar é porque nos perdemos na condução das nossas expectativas. Se os limites impostos por nós mesmos estão em desacordo com a natureza dos nossos desejos é sinal de que a realidade que estamos a viver merece ser repensada. E muito!
Mentimos porque precisamos, por questão de ponto de vista, por omissão, por covardia, por receio de não conseguir expor com clareza o que passa pela mente e quais são as expectativas que temos em relação ao que está nos impulsionando a praticar esse ato. Mentimos por não encontrar saída imediata à determinada atitude que, grosso modo, desassemelha-se dos nossos procedimentos habituais. Mentimos por incongruência entre realidade e utopia, ou seja, simultaneamente, criamos dois espaços paralelos onde um é incompatível com o outro, tornando-se necessária a transgressão. Mentimos até para nós mesmos ao crer que o parceiro acreditou na nossa mentira ou que ele fala a verdade 24 horas por dia.
A necessidade de mentir (numa relação amorosa) talvez se dê por uma falha de comunicação. Em algum momento estamos pecando em palavras ou gestos o que queremos traduzir. Não, não me diga que quem ama não tem necessidade, às vezes, de mentir. Chegará o dia em que sentiremos gosto por namorar com a liberdade, com o auto conhecimento, com o nosso "eu" que clama por individualidade, ou até mesmo para encontrar respostas a anseios que passam apenas pela nossa mente, não do parceiro. Facto é que pensamentos e preferências são coisas exclusivas de cada ser humano e, salvo raras excepções, convergir em 100% essas peculiaridades é impossível.
Para se descobrir que alguém mentiu ou anda a mentir é necessário um bom tempo de observação a fim de concluir em que pontos o comportamento diverge do carácter ou da personalidade desse indivíduo. Uma vez comprovada a versão dos factos, é hora de esclarecê-la ou esquecê-la. Sim, pois há verdades que não cabem à nossa realidade ou não queremos que caibam. É preciso, então, guardá-las apenas na memória, ignorando os possíveis danos emocionais, impedindo-os que venham à tona. Seria essa a saída para manter o que pensamos ser o nosso prognóstico de vida? Ou seria ilusão para manter o relacionamento?
Experimente fazer um teste - comente que encontrou um ex-namorado do tempo de faculdade e o convidou para um café, descreva, em detalhes, sobre o olhar mais demorado que lança ao primo dele sempre que o vê; faça uma pequena lista de defeitos que ele tem e que a irritam profundamente. Ele vai adorar saber! Inclusive, vai ajudá-la a decifrar todos os pensamentos que passam pela sua mente, sem você mesmo saber por quê.
Todas as omissões que cometemos no dia a dia também não deixam de ser uma falsa fantasia de estarmos a ser verdadeiros com o outro. É uma ilusão romântica de que, para continuarmos com o carácter inabalado e o amor em temperatura estável, jamais deveremos mencionar os desejos proibidos, as aspirações individuais e o quanto sonhamos sozinhas, caladas, contidas, com catarses interiores que só a nós dizem respeito e fazem sentido. Isso vale também para as meias-verdades e as distorções ocasionais que acabamos desenvolvendo para nos livrar do desconforto inquisitório a que poderemos ser submetidas.
Se vamos ou não adoptar essa prática em algum momento da nossa vida, só as circunstâncias poderão dizer. Se a nossa postura diante desse meio ilícito for sempre tida como normal, acredito que tenha chegado a hora de pesar o quanto estamos sendo verdadeiros connosco mantendo em sigilo um lado da nossa história que talvez não mereça ser camuflado. Quando a mentira é imensamente maior do que aquilo que se pode mostrar é porque nos perdemos na condução das nossas expectativas. Se os limites impostos por nós mesmos estão em desacordo com a natureza dos nossos desejos é sinal de que a realidade que estamos a viver merece ser repensada. E muito!
Não há factos eternos, como não há verdades absolutas.
Friedrich Nietzsche
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