Os jovens pais – aqueles que têm agora filhos em idade pré-escolar e escolar – deparam-se com dificuldades mais ou menos ignoradas pelas gerações anteriores. Até há algum tempo atrás os pais faziam o melhor que podiam e sabiam e a educação dos filhos era encarada como um processo feito por tentativa e erro. Esta espontaneidade deu progressivamente lugar a uma vontade de querermos ser melhores pais. Para isso recorre-se a um número inacreditável de livros, pede-se conselhos, consulta-se especialistas… Ou seja, a educação das crianças é cada vez mais “livresca” e os pais têm cada vez mais medo de errar.É precisamente desse medo de errar que advém a ausência de regras e de disciplina. Muitos pais têm dificuldade em dizer não aos seus filhos, temem ser piores educadores se os repreenderem ou castigarem e optam por basear o processo educativo numa sequência interminável de recompensas. Por isso, a criança aprende desde muito cedo a negociar cada actividade, cada gesto, cada tarefa, mesmo aquelas que, tradicionalmente, faziam parte das suas obrigações.
A esta insegurança juntam-se outras, como aquela visível no excerto da conversa com que iniciei este texto. Além da óbvia agressividade da menina, o episódio mostra outro dos problemas com que os pais se deparam: a incapacidade para acompanhar o percurso académico dos filhos. Se a vontade de acompanhar as crianças na realização dos TPC’s diários for acompanhada de falta de conhecimentos suficientes sobre as matérias, é natural que surjam alguns receios. Mas se a estas duas variáveis adicionarmos a escassez de recursos financeiros (imprescindíveis para a contratação de explicadores, por exemplo) e a falta de assertividade / autoridade, estão reunidas as condições para que ocorram episódios como este.
É importante que os pais reconheçam que, independentemente das suas próprias fragilidades e receios, é importante que actuem como principais figuras de autoridade aos olhos das suas crianças. Assim,
♥ Se os pais não tiverem dinheiro para fazer face aos pedidos da criança, deverão saber dizer não (mesmo que se sintam pressionados com frases como “Sou o único da turma que não tem…”).
♥ Se os filhos cometerem alguma travessura ou acto irresponsável deverão ser castigados NA HORA e não a posteriori.
♥ Os pais têm o dever de fazer com que os seus filhos realizem todas as tarefas escolares. O acompanhamento do percurso académico é facilmente garantido através do contacto regular com o professor / director de turma.
♥ A autoridade parental é saudável, contribui para a melhor estruturação da personalidade da criança e é muito diferente de autoritarismo.
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