segunda-feira, 9 de março de 2009

Falta de educação nas crianças!


Estava eu muito aborrecida na fila do supermercado que parecia não ter fim e que enguiçava a todo o instante ou porque a senhora não tinha pesado as cebolas ou porque o produto não tinha código de barras, etc , quando começo a ouvir atrás de mim uma vozinha exigente que dizia em tom de autoridade "Mas eu quero!".

Voltei-me para ver e realmente o tamanho do dono não correspondia à autoridade que transmitia pois tratava-se de um pimpolho com uns 4/5 anos no máximo. Pus-me a observar e, quando ouvi a voz da mãe muito fraca e hesitante a dizer "Oh filho, mas não pode ser" pensei logo para comigo que estava o "baile armado" e ia haver espectáculo grátis.

E assim foi. O rapazito, depois de dizer novamente as mesmas palavras e de a mãe dar a mesma resposta, desta vez como se lhe pedisse desculpa, atira-se ao chão como se estivesse a ter um ataque. Bem pensando bem, estava mesmo a ter um ataque...mas era de má criação!!
A senhora, do mais constrangido, puxava-o pelo braço e dizia para ele se levantar porque viu que as pessoas à volta começavam a prestar atenção, alguns com uns sorrisinhos sardónicos de esguelha.

O miúdo também se apercebeu da atenção que despertava e isso não lhe desagradou nadinha: vá de gritar e espernear de tal maneira que mais parecia que o estavam a matar. O certo é que o bom do miúdo parecia um corpo morto estiraçado no meio do chão e a mãe, cada vez mais embaraçada, não conseguia de forma nenhuma levantá-lo. Ia tentando e dizendo "Levanta-te. A mãe compra noutro dia.". E veio logo pronta a resposta do pequeno Maquiavel de calções. "Mas eu quero já!".

E aquilo foi dito em tal tom que a senhora deve ter ficado aterrorizada e surtiu um efeito dos diabos. Respondeu-lhe logo "Pronto, está bem, a mãe compra.".

Oh meus amigos, aquilo parecia milagre. O puto levantou-se num ápice, sorridente e bem disposto, das lágrimas (de crocodilo) nem vestígios.

Até me fez lembrar o filme "O exorcismo" quando o padre arranca o diabo do corpo da rapariga e, de um instante pro outro, até as feições se lhe modificam. Foi tal e qual. Do ser diabólico que guinchava e esperneava para gáudio dos assistentes não havia nem a menor sombra. Ali, no seu lugar, estava um menino meigo e bem disposto que até teve a amabilidade de dizer à mãe "gosto muito de ti!".

E lá foram buscar o objecto da birra que nem sequer cheguei a saber qual foi.

E fiquei a pensar que tive bastante sorte de o meu filho nunca ter sido responsável por um "espectáculo de supermercado". Ou será que não foi sorte?

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