terça-feira, 10 de março de 2009

Eutanásia


O termo Eutanásia vem do grego, podendo ser traduzido como "boa morte"ou "morte apropriada". O termo foi proposto por Francis Bacon, em 1623, em sua obra "Historia vitae et mortis", como sendo o "tratamento adequado as doenças incuráveis". De maneira geral, entende-se por eutanásia quando uma pessoa causa deliberadamente a morte de outra que está mais fraca, debilitada ou em sofrimento…

E a propósito de,
estava eu numa mesa de café, numa roda de amigas, à conversa e como as palavras são como as cerejas, os temas sucederam-se, dos os mais leves aos mais sérios, do "corte e costura" às reflexões sobre a inconsistência da vida.

A certa altura estávamos a falar de uma notícia que alguém tinha visto sobre uma pessoa que está há anos imobilizada numa cama, tetraplégica e cada uma ia dizendo o que pensava sobre o assunto. Todas fomos unânimes em afirmar que preferíamos a morte a um triste destino como esse. Mas aí coloca-se o entrave da nossa lei que não permite que sejamos donos e senhores do nosso destino e que possamos decidir se preferimos o alívio abençoado da morte à horrível prisão de um corpo inutilizado e de uma mente que continua activa.

Tenho que dizer que apoio incondicionalmente a eutanásia, quer a passiva, quer a activa. Discordo, por isso, absolutamente da distanásia, que insiste em prolongar o que já não tem valor em ser prolongado. E afirmo tudo isto assumindo simultaneamente a minha condição de católica.

Não sinto que, num caso destes, a vida possa continuar a ser encarada como um valor absoluto porque todos temos o direito de morrer com dignidade e com o mínimo de sofrimento. Se a batalha da vida já está vencida, porque viver assim não é viver, porquê prolongarmos o sofrimento só porque a lei assim o determina?! A nossa vontade de viver apenas a nós diz respeito e deveria ser ouvida a voz de quem já não quer viver mas se encontra impossibilitado de providenciar o seu fim.

É claro que a batalha da vida tem sempre um fim e estamos todos destinados a sermos vencidos, um dia. Às vezes até sem nos apercebermos da condição de vencidos. Mas não estamos destinados a ser humilhados nessa condição de vencidos em vida, quando temos percepção dessa perda. A honra do "guerreiro" está, assim, em ter o direito a uma morte justa, a uma morte digna. E, se isso significar antecipar a hora destinada por entes superiores, que assim seja.

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