quinta-feira, 19 de março de 2009

Sobre a minha ignorância...

Este canto, esta mesa de café, este sofá perto da lareira, foi intencionalmente pensado fora das abordagens e comentários políticos, e muito menos os político-partidários: eu não sei falar disso!

Podia falar do que sinto, das minhas expectativas, das minhas humildes constatações resultantes do impacto dos meios nas minhas causas. Pouco me resta para além de perceber que não há ideais que movem os homens a bem da causa pública: parece que estamos sem objectivos, caminho e direcção...e não consigo elevar-me mais do que a esta minha triste sensação.

O conceito de política, no contexto da modernidade, foi marcado pela dicotomia esquerda-direita, e significava acção no âmbito de ideologias totalizadoras. Estas, estabeleciam amplos e distantes objetivos relacionados com a revolução burguesa, ou com a socialista, cada uma, à sua maneira, defendia o progressivismo, que afirmava a possibilidade de se mudar tudo para melhor. Foi neste contexto que o parlamento, os partidos políticos e os sindicatos, eram a expressão dos verdadeiros agentes da política; a actuação era reduzida à classe ou a outros determinismos fixos, e o Estado, uma mera agência de classe.

A política pós-moderna, efectivada nas acções da "política de vida", da "subpolítica", da "antropolítica", ou das "micropolíticas", reconhece a pluralidade constitutiva dos sujeitos sociais e políticos, favorecendo o surgimento de novos actores, os quais lutam pela cidadania de forma fluída e dinâmica, possibilitados pelos grupos e novos movimentos com uma estrutura decisória descentralizada. Por isso, tornou-se condição sine qua non para práticas democráticas, firmando assim o seu carácter inovador e radical.

Ao contrário do que os políticos tradicionais pensam, hoje todos estão, de alguma maneira, positivamente (des)organizados, e desta posição resultam as questões sobre como viver, ou como diriam os existencialistas, sobre "como-estar-no-mundo" das incertezas globais, e dos "riscos de grande consequência".

Por isso, as forças e instituições políticas tradicionais estão cada vez mais em declínio; por não atenderem as actuais demandas sociais, conseguiram fazer o político parar de funcionar.

A esperança é um sentimento, e continuando eu também ignorante a respeito destes, posso ainda dizer algo que possa ser entendido, que possa, pelo menos, ser sentido.

Mas sei tão pouco ainda!

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