segunda-feira, 9 de março de 2009

Solidão


A solidão mata, faz ter vontade de morrer. A solidão só procura a solidão e quanto mais uma pessoa se isola mais isolada quer estar. Há a solidão voluntária, de quem quer viver apenas consigo próprio sem se aperceber que, se temos alguma chance de ser felizes, é através do que damos aos outros e do que os outros nos dão. Há também a solidão imposta, que vem da marginalização de uma sociedade que não está feita a pensar nos idosos, nos deficientes, nos que são de alguma forma diferentes do comum, seja por que motivo for.

Quando as pessoas se apercebem que a solidão é a sua companhia, o rosto entristece, a alma desvanece, um forte pesar parece invadir o pensamento. O cenário torna-se deprimente. O futuro sem esperança. Para além disso, as pessoas solitárias são as que estão mais dispostas a contrair doneças físicas e psíquicas.

A solidão ataca tanto idosos como jovens, pois a adolescência é uma fase da vida em que as emoções são vividas ao extremo e a incompatibilidade com os outros e consigo mesmos faz com que se isolem do mundo.

O meio urbano, ao gerar diferentes dinâmicas de relacionamento entre os indivíduos, tende a marginalizar os mais fracos, incapazes de manter o seu ritmo e a apagá-los, retirando-lhes qualquer visibilidade social. Envelhecer na cidade é arriscar-se a acabar os seus dias cada vez mais só. Os idosos já não ocupam o lugar que tinham há sessenta anos. O respeito tornou-se menos profundo.

É a desumanização dos grandes meios urbanos.


Sem comentários:

Enviar um comentário