Se gere a sua casa como se fosse uma empresa, com orçamento e encargos repartidos, se tem um plano de actividades e de trabalho para toda a família, por que não dar mais um passo no mundo da gestão e passar a tratar a sua relação como um produto?
Um produto que deve ser estudado e trabalhado, para o qual devem ser delineados objectivos e um plano de marketing, com o propósito de transformar a relação num chamado produto-estrela.
Esse é o conceito que presidiu à escrita do livro «Márketing de pareja – las mejores técnicas de márketing para convertir tu relación en un producto estrella», um bestseller em Espanha, ainda sem tradução nem edição em português.
David Suriol e Miguel Janer, ambos jornalistas (o primeiro também empresário e o segundo escritor), são os autores deste livro (Ediciones Granica) que demonstra que, se uma boa campanha de marketing é capaz de converter um bom produto num êxito, pode fazer o mesmo no campo afectivo.
Os destinatários são casais com cinco ou mais anos de relação que sintam os efeitos da rotina, «o pior inimigo da relação que chega quando não se estabelece nenhum plano concreto de trabalho», segundo eles.
Truques e compromissos
O ponto de partida, como explica David Suriol à saber viver, é assumir o casal como uma unidade (e não a soma de um mais um!) e indissolúvel, «senão, em que é que estamos a pensar? Que a nossa relação é temporária?».
A individualidade de cada um não se deve perder, mas cada um deve saber «que faz parte de um projecto formado livremente por duas pessoas». Este produto tem de se aperfeiçoar todos os dias, garante o especialista em estratégias de marketing e comunicação.
E qual a melhor forma de manter um casal operacional? «Ter um plano», responde rapidamente. O casal deve então, em conjunto, e recorrendo à análise de marketing conhecida por SWOT (strengths, weaknesses, opportunities and threaths), avaliar os pontos fortes, pontos fracos, oportunidades e ameaças que desafiam o seu produto.
«Essa avaliação é como o GPS da relação», sintetiza David Suriol, que indica ainda que a esta análise deverá seguir-se o delinear da estratégia e dos objectivos a curto e médio prazo.
Política de comunicação
Como nas empresas, para o casal funcionar bem é fundamental que haja uma boa estratégia de comunicação.
Aqui têm de ser imaginativos, uma vez que devem operacionalizar a comunicação interna e externa, as campanhas de publicidade, teasers e a comunicação de crise.
Um plano de distribuição também é obrigatório, gerindo as prioridades, o tempo e o espaço entre o casal... Como frisa o autor, «todos os dias têm de conversar».
E os filhos? «Os filhos não são parte do casal, são frutos do casal», pelo que «temos de definir limites claros».
«É muito aconselhável fazer um plano de marketing para a relação», sendo que isso significa «recuperar o senso comum das gerações anteriores com uma linguagem mais moderna. Mas em conjunto. Se numa empresa não se deixa o director de marketing fazer tudo o que quer, num casal isso também não pode acontecer. O plano deve ser consensual e os objectivos definidos por ambas as partes», sublinha.
Estratégia de marketing
Missão
É o que define uma empresa: o que produz e como, e a quem quer vender o produto. Os dois elementos do casal devem definir, à partida, o que querem ser enquanto casal e os seus objectivos.
Não é fácil, mas deve conseguir fazê-lo num parágrafo, como se de um objecto social de uma empresa se tratasse (como diria um empresário, «a minha empresa importa e vende roupa de criança»).
Produto
O produto é a relação e essa tem de funcionar bem, e cada vez melhor. Os dois elementos do casal têm de trabalhar para o mesmo objectivo.
Comunicação
Para converter o casal num produto-estrela, têm de ser delineadas campanhas de comunicação interna e externa.
Distribuição
Para chegar aos seus consumidores, o produto precisa de uma boa rede de distribuição.
Fazendo a analogia, o casal precisa de distribuir adequadamente o seu tempo, o espaço de cada um, as prioridades e uma boa política de contrapartidas.
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